Crumb por ele mesmo
É caro, cerca de cinqüenta pilas, mas vale a pena. Ô se vale.
O livro com 135 páginas são de materiais publicados e também retirados de seu caderno de rascunho entre as a década de 70 e 80. E dessa vez quem é a piada é o próprio Crumb, que é considerado um dos maiores cartunistas americanos.
Nas várias histórias publicadas ele é o personagem principal em diversas fases de sua vida, com ênfase na época flower power, quando o autor recebeu sem querer (e repudiar) a condecoração de herói do underground e pop star da contracultura.O livro revela mais da vida pessoal do artista, do que sobre suas criações. Raramente ele cita seus personagens, pois o foco do livro é realmente a estrada que tomou, nem que isso caiba um pouco de ficção.
Crumb intercala vários cartuns desenhados por ele com textos onde são relatados diversos momentos importantes de sua vida. Desde a infância, quando era praticamente forçado pelo irmão Charles Crumb a desenhar sem parar (os dois eram extremamente paranóicos e liam quadrinhos o dia todo, Robert se salvou pela sua arte. Charles pirou), passando pelo primeiro emprego numa fábrica de cartões comemorativos, a fase hiponga e a rebordosa dos anos 70 com o início dos tempos de velho rabugente e recluso que cultiva até os dias de hoje.
Irônico, sarcástico, chauvinista, machista, cético, inimigo número do estado. Crumb é muita coisa e tudo é colocado no seu livro de forma clara e sem auto-indulgência. Aliás não existe
nada de sua personalidade que ele não tenha exposto de forma muito crua.E Crumb vai entregando seus podres sem medo. Desde suas relações com as mulheres (muitas vezes doentias) até a análise de seu trabalho, que ele revela ter passado por um momento que o mais importante era ganhar dinheiro, com pouco importância à criatividade e o desenvolvimento de sua arte.A queda de qualidade do trabalho dele é justamente relatada no momento em que Crumb se torna mais cultuado. No anos 60 muitos dos seus personages – Mr. Natural e principalmente Fritz The Cat – se tornaram muito populares e
Crumb caiu na vida.
Tomou toneladas de LSD, ficou estirado na Haight Street em San Francisco, foi a shows de rock (estilo que ele odeia com todas as forças) e fez capas para bandas de rock ( a capa do Cheap Trills de Janis Joplin é dele).Depois veio a bad trip e Crumb virou as costas para a badalação.
Hoje mora na França com sua esposa e se prepara para lançar a sua versão do livro dos gênesis. Ex-católico e avesso a qualquer tipo de religião, essa versão deve colocar o artista novamente em meio à polêmica.
Olha. Mas que ninguém se preocupe que os temas pesados tratados pr ele se transformem numa lenga-lenga sem fim. Tudo é muito divertido quando se trata de Robert Crumb. É bom conferir
